quarta-feira, 27 de abril de 2016
Day care para velhinhos!
Péssima foto, eu sei, mas a idéia é brilhante! Eu sempre passo na frente desse lugar, e sempre vejo um grupo de velhinhos comendo, ou colorindo aqueles livros que ficaram tão na moda ano passado, ou fazendo crochê, ou colagem, ou pedalando a bicicleta, ou andando na esteira...
Perguntei, pesquisei e descobri! Um day care para velhinhos! Quando você vai tabalhar e tem filhos pequenos, você os deixa na escolinha ou na creche, certo? E quando você tem pais velhinhos que não tem mais condição de ficar sozinhos em casa? Leva pra creche da melhor idade!!!!
Descobri que há centenas dessas "creches" pelo Japão, e elas são inclusive cobertas pelo seguro saúde do idoso. Muito melhor que ele fique sob supervisão, minimizam-se as quedas no banheiro, queimaduras ou desidratação. Elas funcionam das 8.30 até as 17.30, todos os dias da semana. Mais barato que pagar um acompanhante para ficar em casa, essa idéia é boa para a família, para o idoso - que tem suas horas preenchidas com diversas atividades que mantêm o cérebro e o corpo ativos - e até para o governo ou plano de saúde, já que a constante supervisão detecta os problemas logo no início, quando são mais fáceis de tratar.
Tem enfermeira, bicicleta ergométrica, alguns aparelhos de musculação, comida fresquinha e amigos para conversar. Tem um monte de gente que passa pela porta todo dia, as crianças indo e voltando da escola, a vida que não para. E do mesmo jeito que eu olho encantada para esses velhinhos lá dentro, eles olham encantados para as crianças aqui fora.
Bora lá, Brasil, seguir o exemplo?
segunda-feira, 25 de abril de 2016
A importância do detalhe
Essa é a foto do jardim de um dos muitos templos de Kyoto. Todos são lindos e todos seguem certas regras. A água é sempre escura, assim funciona melhor como espelho para a natureza que a circunda. Existem plantas que só estão ali devido ao perfume que exalam. As pedras, as árvores, tudo é estudado para proporcionar encantamento, elevar o espírito, acalmar a alma.
E para que tudo isso aconteça, é preciso haver manutenção, claro. E além dos óbvios trabalhadores que limpam pedras, replantam árvores ou podam os arbustos, encontramos muitas vezes essas figuras quase invisíveis. São senhores e senhoras já de idade, sentadinhos na grama (musgo), arrancando cada matinho, cada erva daninha, cada rebento de natureza que resolva nascer sem obedecer a ordem do jardim.
É um trabalho minucioso, de paciência e atenção. Tanta atenção que minha câmera foi hipnotizada até chegar ali. Então mais uma vez vou corromper a idéia do blog e deixar uma foto em close do trabalho árduo da senhorinha.
E para que tudo isso aconteça, é preciso haver manutenção, claro. E além dos óbvios trabalhadores que limpam pedras, replantam árvores ou podam os arbustos, encontramos muitas vezes essas figuras quase invisíveis. São senhores e senhoras já de idade, sentadinhos na grama (musgo), arrancando cada matinho, cada erva daninha, cada rebento de natureza que resolva nascer sem obedecer a ordem do jardim.
É um trabalho minucioso, de paciência e atenção. Tanta atenção que minha câmera foi hipnotizada até chegar ali. Então mais uma vez vou corromper a idéia do blog e deixar uma foto em close do trabalho árduo da senhorinha.
domingo, 24 de abril de 2016
Idade é só um detalhe (2)
Idade? Quase sempre uma desculpa para (não) se fazer o que (não) se tem vontade. Aqui no Japão, 26% da população tem 65 anos ou mais. Pra dar uma idéia, no Brasil esse número cai para 18% na União Européia, e cai ainda mais no Brasil, onde a contagem de pessoas acima de 60 anos é de 12,5%.
Na Europa eu me lembro do choque que levei quando vi um idoso com tubo no nariz, sozinho, fazendo suas compras no supermercado empurrando seu carrinho de oxigênio. Idosos que resolvem toda a sua vida, com o apoio de um andador\ carrinho de compras. Idosos que se locomovem não com uma bengala, mas com duas, dada a condição precária de força nas pernas.
Aqui não é diferente. E com um número muito maior de idosos. Mas eles não tem fila especial no supermercado, e muitos permanecem em pé no transporte público, apesar dos assentos a eles reservados.
E o senhorzinho aí da foto? repararam na bengala ali ao lado? Pois ele deixou a bengala no chão, colocou ao lado a preguiça e o mau humor, e foi jogar badmington com os jovens do parque. Saí pra lá preguiça!
sábado, 23 de abril de 2016
Idade é só um detalhe!
Os quimonos são as roupas típicas do Japão, disso todo mundo sabe. Mas que são pesadíssimos, cheios de camadas e detalhes, e bastante desconfortáveis, disso não se fala muito.
Para usar quimono não há idade. Alguns detalhes mudam, de acordo com a "maturidade da mulher". As jovens solteiras tem mangas bem compridas, as jovens usam um laço atrás, as mulheres mais maduras tem uma amarração do obi (a faixa) sem laços.
A bonitinha aí da foto esta toda feliz desfilando seu quimono em Kyoto, mas com tênis. As sandálias de madeira são outro item desconfortável, especialmente se faz frio ou se chove. Ainda bem que as jovens mamães japonesas não são tão tradicionais e pensam mais no conforto das suas crianças!
terça-feira, 19 de abril de 2016
Banheiro: manual ilustrativo
O banheiro tradicional japonês não tem vaso sanitário. Eles usam algo parecido com a "turca", um pouco mais estreito, um pouco mais longo, e as pessoas fazem seu "serviço" de cócoras, agachados de frente para o "vaso".
Com a globalização e a modernização, os banheiros ocidentais ganharam espaço e hoje competem lado a lado com os banheiros tradicionais japoneses. Alguns teatros, museus e centros comerciais têm, em seus banheiros, as duas versões, indicadas na porta de cada cubículo - japanese toilet ou western toilet. Mas instruções em como utilizar o vaso ocidental eu ainda não tinha visto. Até o dia da foto aí de cima.
A saber: você precisa sentar pra usar o vaso, jamais se agachar sobre ele (parece óbvio, mas não é a posição que se usa no banheiro japonês, certo?); jogar o papel utilizado dentro do vaso sanitário e dar a descarga, apertando o botão (que aqui, às vezes fica na parede ao lado, outras na parede atrás, e outras ainda acoplados ao proprio vaso sanitário). Banheiros bem moderninhos tem o sensor que dispara a descarga assim que você se afasta do vaso.
Pronto. Agora vocês já sabem. Não se esqueçam de dar descarga e lavar as mãos! E enxugar as mãos na toalhinha que você carrega na bolsa, pois aqui não há papel toalha em banheiro público.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Sobe em minha moto!
Mamães e papais segurando o fôlego ao ver a foto, certo? Este pai leva o filho para a escola\creche todas as manhãs na garupa da moto. No primeiro dia fiquei chocada, depois reparei no cuidado do pai. A criança sempre usa capacete e vai bem presinha ao pai com um Ergobaby (aliás, quem não conhece o Ergobaby, corre pesquisar porque a possibilidade de carregar seu filho nas costas feito uma mochila é super confortável, bem melhor que carregar na frente.As costas agradecem!!!)
O Japão é um país pequeno em tamanho, mas com grande população. São 337 pessoas por km2! Apesar da grande indústria automobilística, os carros não tem muito espaço na vida das pessoas ou nas cidades. O uso de automóvel no Japão é o mais baixo entre os países que compõem o G8. Para comprar um carro aqui, você precisa comprovar que tem uma vaga de garagem. Estacionamento custa muito caro. Então, a maioria dos japoneses se locomove de bicicleta ou transporte público. Ou moto.
Quer uma carona?
sábado, 16 de abril de 2016
Na balada!
Por aqui, vamos a cada dia conhecendo novas pessoas, uma festa daqui, um jantar ali... e num desses jantares conheci a Cath Gyprock, uma advogada australiana espevitada que aqui no Japão dá aulas de inglês e canta numa banda!!!! Bora ver que apito toca a banda, certo?
Comecemos pelo bar chamado Golden Cup, pequeno, estiloso, absolutamente retrô. Do lado de casa, fomos a pé. A decoração é dos anos 50, os cartazes de bandas\shows de rock vão até os anos 70. E a banda... Honmoku Blues Express, essa abarca canções de todas as épocas.
O baterista é japonês (não saiu na foto, coitado), o guitarrista também, e é a cara do Keith Richards em versão nipônica. Baixista e cantores são"gaijins", e o saxofonista, um mistério! De olhos puxados, poderia ser oriental, mas o bigode grita mexicano por todos os pelos! E o nome da figura, Emilio. Pode ser tanta coisa, que deve mesmo é ser brasileiro!
Música boa, público animadíssimo, tanto os japoneses quanto os estrangeiros. Noite divertida e agradável. Porque não é só a terra que dança ao ritmo dos terremotos, aqui, as pessoas dançam também seguindo o ritmo da música. Obrigada Cath!
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Entre terremotos e tsunamis
Nem só de beleza vive o Japão. Localizado em cima de uma falha geológica, o arquipélago japonês sofre com pequenos terremotos quase diariamente. Mas às vezes as placas tectônicas se movem mais bruscamente, e o estrago se vê ali na foto de hoje. Um templo destruído em Kumamoto.
Em março de 2011 aconteceu o grande terremoto, seguido de tsunami, e que causou muita destruição. Talvez o pior tenham sido os danos causados na usina nuclear de Fukushima, já que a radiação contaminou a água e seus efeitos perduram ainda.
O terremoto de ontem foi o mais forte desde o grande terremoto de 2011, e atingiu a cidade de Kumamoto, na ilha Kyushu, bem ao sul do país. Foi tão forte - 6,4 graus na escala japonesa, que vai até 7 - que sentimos aqui em casa, a 995 km de distância.
Sempre que há um grande terremoto, acontecem depois terremotos secundários, de menor escala. A previsão é de que agora aconteçam vários pequenos terremotos por uma semana, até que as placas tectônicas se reacomodem. Desta vez, ainda bem, não há risco de tsunami.
Os pensamento ficam com a população de Kumamoto, que os danos causados sejam apenas materiais, e que o número de mortes (já são nove as vítimas) não aumente.
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Um caminho de portais em Kyoto
Esse é um caminho de portais vermelhos (os portais, que estão em todos os templos Shintoístas, chamam-se "torii" em japonês) no templo Fushimi Inari, em Kyoto. O caminho de toriis data de 711 d.C.. Inari é raposa em japonês, e por todo o caminho há estátuas de duas raposas, os deuses desse templo.
Há controvérsias sobre o número de torii, mesmo porque miniaturas deles estão por toda parte, e isso superfaturaria os números, mas a conta mais comum é a de que há 10.000 portais, ao longo de 4 km, um caminho que sobre até o pico de uma colina e desce pelo outro lado, levando novamente ao santuário principal. Os portais tem escrito o nome da pessoa ou empresa que pagou por eles, você pode comprar um portal a partir de 2.000 yenes (65 reais! uma pechincha)
O caminho é longo, mas nem todo mundo faz a volta completa, existem alguns pontos de descanso (com um pequeno santuário, cemitério, restaurante, banheiro e lojinha de souvenirs religiosos) que são conhecidos pontos de escape. Você vai até o primeiro, ou até o segundo, e volta. Se no primeiro trecho há congestionamento de pessoas, o último é quase particular. Existe quem faça até o fim, e existe quem faça até o fim em forma de peregrinação, rezando em cada pequeno santuário, ou de joelhos, ou carregando algo pesado, ou usando sapatos tradicionais japoneses em madeira, bem desconfortáveis.
Caminhar por essa trilha tão cheia de significado (o portal é a entrada para o sagrado) é quase uma meditação. Por vezes você vai admirando o tamanho, a simetria ou o desenho que os portais formam, outras vezes presta atenção nas frestas de natureza entre um portal e outro.
Neste Japão, o que não falta é beleza e história.
Há controvérsias sobre o número de torii, mesmo porque miniaturas deles estão por toda parte, e isso superfaturaria os números, mas a conta mais comum é a de que há 10.000 portais, ao longo de 4 km, um caminho que sobre até o pico de uma colina e desce pelo outro lado, levando novamente ao santuário principal. Os portais tem escrito o nome da pessoa ou empresa que pagou por eles, você pode comprar um portal a partir de 2.000 yenes (65 reais! uma pechincha)
O caminho é longo, mas nem todo mundo faz a volta completa, existem alguns pontos de descanso (com um pequeno santuário, cemitério, restaurante, banheiro e lojinha de souvenirs religiosos) que são conhecidos pontos de escape. Você vai até o primeiro, ou até o segundo, e volta. Se no primeiro trecho há congestionamento de pessoas, o último é quase particular. Existe quem faça até o fim, e existe quem faça até o fim em forma de peregrinação, rezando em cada pequeno santuário, ou de joelhos, ou carregando algo pesado, ou usando sapatos tradicionais japoneses em madeira, bem desconfortáveis.
Caminhar por essa trilha tão cheia de significado (o portal é a entrada para o sagrado) é quase uma meditação. Por vezes você vai admirando o tamanho, a simetria ou o desenho que os portais formam, outras vezes presta atenção nas frestas de natureza entre um portal e outro.
Neste Japão, o que não falta é beleza e história.
terça-feira, 12 de abril de 2016
Animais de estimação!
Os japoneses amam seus bichinhos de estimação. Mas eles são um pouquinho mais que animais de companhia, na verdade, eu acho que são quase bonecas. Cachorro aqui nunca sai na rua pelado, sempre tem camiseta, ou camiseta e calça, ou vestidinho. Jaqueta para os dias mais frios, casaco de chuva para o tempo instável. E os carrinhos! Cachorro aqui tem carrinho, como carrinho de bebê, feito especialmente para eles. A gente se acostuma e acha bonitinho.
Mas os gatos, ah, os gatos!
Eu não sou acostumada com gatos, não entendo muito o comportamento independente dos bichanos, mas sempre pensei que gatos eram os chefes da casa. Nao aqui. A gente vê muito gato passeando na coleira. Esse bonitão da foto tinha camiseta, chapéu, coleira e um skate!!!! A mocinha dona dele carregava esse skate debaixo do braço; até pensei que fosse dela, mas depois vi que o skate também tinha uma cordinha, o gato sobe e ela vai puxando.
Todo mundo vem, brinca e pede pra tirar uma foto. No começo, eu tinha vergonha de pedir, mas depois vi que eles ficam muito orgulhosos pelo seu interesse no bichinho. Os japoneses sempre agradecem depois que você brinca com o cachorro ou gato deles. Oi? Eu é que agradeço. Se podemos brincar com todos, não preciso ter nenhum em casa! ;-)
segunda-feira, 11 de abril de 2016
O zen a a cidade
Esta foto foi tirada de cima do Castelo de Nagoya, em Nagoya, claro. O castelo tem uma história incrível, construído em posição estratégica para defender a cidade, foi concluído em 1612. Porém, durante a Segunda Guerra Mundial, foi atingido por uma bomba em maio de 1945 e o fogo consumiu quase tudo. Sobraram três torres, três portões e algumas pinturas em paredes e portas corrediças. O castelo foi todo reconstruído mantendo a parte externa tal qual era originalmente, porém seu interior é moderno, hoje um museu. Lá estão as pinturas que sobreviveram ao incêndio, reproduções de pequenas cenas da cidade de antigamente e a maquete do castelo original.
Mas não é disso que eu quero falar. Eu gosto mesmo é dos contrastes.
O castelo e seu jardim\fosso ocupam uma grande área, tudo muito bem cuidado, jardins perfeitos, lagos, peixinhos. Você se sente fazendo parte da História. Mas pra lá dos limites do castelo, existe uma cidade grande. Moderna. Nagoya foi toda destruída durante a Segunda Guerra, e hoje ostenta prédios altos e avenidas largas.
Mas ainda não é disso que eu quero falar. Quero puxar seu olhar para cima lá na foto. Na altura dos últimos andares dos prédios lá no fundo. Para dois grandes corredores horizontais, no melhor estilo Blade Runner.
domingo, 10 de abril de 2016
Uma vida nova no Japão!!!
Entao. Anos depois e sem ter a menor ideia de onde ficam os acentos no meu teclado, eis-me de volta a escrita. O motivo do desaparecimento nem eu sei (desculpas existem muitas... as criancas, a falta de tempo, mudanca de país - ha! achei os acentos!), mas o motivo do retorno é nobre: mudamos para o Japão!
Mais especificamente Yokohama, a 40 minutos de Tóquio de trem-metrô.
Chegamos em janeiro e vamos nos adaptando, mas, como todos sabem, o Japão é outro mundo. Não, é outro universo. E ao mesmo tempo tão parecido com o Brasil, vai entender.
Nosso plano é ficar por aqui três anos. Contas bem malfeitas me deram esses mil dias, então eu me propus um desafio. Uma foto por dia, pra mostrar como é viver aqui. Pra mostrar as coisas boas, as coisas más, as estranhas e as realmente estranhas. Espero que dê certo, e que eu não arrume desculpas pra furar um dia ou dois.
Divirtam-se
Dia 1 - 11 de abril de 2016
Entre final de março e começo de abril acontece o Hanami, a festa das cerejeiras. O país inteiro pára para contemplar as cerejeiras em flor. A "beleza efêmera" conquista a todos, sejam crianças ou idosos, japoneses ou estrangeiros. E o ápice da comemoração é um piquenique sob a cerejeira no auge da floração, os japoneses passam a noite sob as cerejeiras, cantando e bebendo e comemorando a beleza de mais uma primavera. Bonito, certo? Nem tanto. Para que todos tenham o seu lugar ao sol - quer dizer, sob a cerejeira- alguns são sacrificados. A cada ano, um funcionário (ou um amigo, ou um membro da família) é convocado para guardar o lugar para o grupo! E isso significa estender seu plástico azul oficial de piquenique, sentar e esperar o resto da turma chegar. Essa praça da foto não faz parte dos locais badalados pra celebrar o Hanami, mas tinha uma cerejeira linda, e o rapaz da foto passou o dia cochilando sob a chuvinha fina e suportando um frio de 10 graus mais o vento. Espero que a turma tenha valido a pena. Na verdade, espero sinceramente que houvesse uma turma. Hanami e solidão não combinam.
Fui! Beijo
Mais especificamente Yokohama, a 40 minutos de Tóquio de trem-metrô.
Chegamos em janeiro e vamos nos adaptando, mas, como todos sabem, o Japão é outro mundo. Não, é outro universo. E ao mesmo tempo tão parecido com o Brasil, vai entender.
Nosso plano é ficar por aqui três anos. Contas bem malfeitas me deram esses mil dias, então eu me propus um desafio. Uma foto por dia, pra mostrar como é viver aqui. Pra mostrar as coisas boas, as coisas más, as estranhas e as realmente estranhas. Espero que dê certo, e que eu não arrume desculpas pra furar um dia ou dois.
Divirtam-se
Dia 1 - 11 de abril de 2016
Entre final de março e começo de abril acontece o Hanami, a festa das cerejeiras. O país inteiro pára para contemplar as cerejeiras em flor. A "beleza efêmera" conquista a todos, sejam crianças ou idosos, japoneses ou estrangeiros. E o ápice da comemoração é um piquenique sob a cerejeira no auge da floração, os japoneses passam a noite sob as cerejeiras, cantando e bebendo e comemorando a beleza de mais uma primavera. Bonito, certo? Nem tanto. Para que todos tenham o seu lugar ao sol - quer dizer, sob a cerejeira- alguns são sacrificados. A cada ano, um funcionário (ou um amigo, ou um membro da família) é convocado para guardar o lugar para o grupo! E isso significa estender seu plástico azul oficial de piquenique, sentar e esperar o resto da turma chegar. Essa praça da foto não faz parte dos locais badalados pra celebrar o Hanami, mas tinha uma cerejeira linda, e o rapaz da foto passou o dia cochilando sob a chuvinha fina e suportando um frio de 10 graus mais o vento. Espero que a turma tenha valido a pena. Na verdade, espero sinceramente que houvesse uma turma. Hanami e solidão não combinam.
Fui! Beijo
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